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História


1930 - Nova Itália - destino de nordestinos

Quando a família de João Pereira da Silva chegou nesta região da Alta Sorocabana, em 1937, deparou-se com densa mata. O pioneiro veio de Bom Jardim, Pernambuco, com sua mulher, Ana Raimunda da Conceição, e os filhos Antônio, Isabel, Elísio, Maria, Edésio, Euclides, José Pereira e Maria Luiza. O primeiro endereço da família, em 1936, foi num sítio comprado de Alvino Gomes Teixeira, engenheiro da Prefeitura de Presidente Prudente. A propriedade era no bairro prudentino do Limoeiro.

A chegada em Tarabai foi um ano depois, em um sítio de oito alqueires, onde a família Pereira da Silva produzia algodão, arroz, milho, feijão, entre outros alimentos para subsistência. "Só precisávamos comprar carne, café e açúcar", lembra Elísio.

O chefe da família morreu três anos depois e Elísio assumiu o trabalho na roça. "Não parava de trabalhar. Minha mãe levava almoço e café na lavoura," conta Elísio.

Ele se lembra que na zona rural concentrava-se a maior quantidade de moradores. A maioria compunha-se de nordestinos, em busca de terra fértil e clima apropriado para o cultivo de alimentos, migrantes fugidos do castigo da seca. "Na cidade não havia quase ninguém. Os poucos moradores eram italianos. Por isso, chamavam o lugar de Nova Itália", conta o pioneiro


Patrimônio - João Boff fecha primeiro grande negócio

Elísio diz que o patrimônio começou em 1939. "Antes, a mata tomava conta quase de tudo. O primeiro grande negócio foi fechado entre o italiano João Boff e Emílio Badan".

João Boff morava em Pompéia (SP) e comprou 30 alqueires de terra de Emílio Badan, que morava em Presidente Prudente. O italiano dividiu a área em 500 lotes, onde fundou uma vila.

João Boff iniciou a construção de sua casa em 15 de agosto de 1939. "Neste ano, Getúlio Vargas, por causa da 2ª Guerra Mundial, proibiu o uso do nome Itália no Brasil. A perseguição fez João Boff desistir de morar na vila. Ele voltou para Pompéia," afirma Elísio.

Os 500 lotes foram vendidos para o espanhol Ulpiano Sevilha, que mudou de Birigui (SP) com sua mulher, Beatriz Grima, e os filhos Roque e Paulo, em 1941. João Boff retornou a Pompéia, onde também foi fundador.

"Primeiro vieram meu irmão Paulo e dois amigos dele, André e José Buzinhani. Eles derrubaram mata e construíram uma casa. Meu pai, minha mãe e eu só mudamos depois de um ano", lembra Roque.

De acordo com ele, a casa da família Sevilha era a quinta do município. "Todas as residências eram de madeira, localizadas na rua Sete de Setembro. Na vila tinha a casa do Augusto, onde hoje é o Idagawa, a casa de Ângelo Vinha, do Argemiro, proprietário da única padaria, do Tenório, dono de um armazém e do Henrique, pai do Lázaro, conhecido por mudinho", diz Roque Sevilha.

Ulpiano Sevilha teria de mudar o nome da vila por causa da proibição do governo federal. Então, optou por Nova América. O progresso foi lento até 1944 em Nova América. A base econômica era a agricultura rudimentar. Entretanto, a partir desta data começa aumentar o número de famílias que mudavam para Nova América, impulsionando o crescimento da vila. Migrantes nordestinos, vindos de Pernambuco, Ceará, Paraíba, Minas Gerais, entre outros, e imigrantes japoneses, italianos e espanhóis, escolheram a região para morar.

Na opinião de João Mendes Barreto, o fretista Otaliano, motorista de um pau de arara, foi o maior divulgador de Nova América no Nordeste. "Ele levava mercadorias, como tecidos e carne seca, para vender no nordeste. Na volta, trazia o caminhão cheio de nordestinos".

Jalon Bernardo da Costa chegou de Alagoas naquele ano, com sua mãe, Maria Bernardo da Costa e seus irmãos, José, Jurita, Hilda, Genauro, Genilda, Jaime e João Batista. "Arrendamos a fazenda Rebojo por cerca de dois anos, onde produzíamos algodão, milho, feijão e outras culturas. Os moradores da zona rural eram quase todos nordestinos. Havia poucos japoneses," conta.

Por falta de estrada, os agricultores não podiam vender o excedente da produção aos grandes centros. Por isso, os produtos estragavam-se, com as chuvas.

De acordo com ele, na zona urbana havia cerca de 10 casas de madeira e poucos estabelecimentos comerciais, entre os quais o armazém de Rafael Calvo, que vendia secos e molhados, onde hoje funcionam o supermercado São Rafael, e a casa Sepa, propriedade de Antenor, ambos na rua Sete de Setembro," diz Jalon.

Elísio conta que na rua Sete de Setembro ficava a estrada Brasileira, acesso a Paranavaí (PR). "Uma companhia de baianos abriu a estrada," completa

Outro pioneiro que chegou em 1937 foi Elpídio Clementino de Souza. Ele e a família, composta por sua mulher, Minervina Pereira de Souza, e quatro filhos, mudaram de Pernambuco para Regente Feijó em 1936. O segundo endereço na região foi na zona rural de Pirapozinho. Um no depois, Elpídio, sua mulher e os filhos vieram para o bairro Jorge Neves, em Pirapozinho. A família arrendou o sítio São Jorge. "Aqui era só mata," afirma o filho Edivaldo.

Pedro Vicente de Araújo, casado com Minervina Bezerra de Araújo veio para Tarabai em 7 de setembro de 1946. O casal e os filhos, Orci, Florinda, Vicente Ferré, Marinho, Nely, Nagibe, Alcinda, Ivone, José Pedro, Idílio e Heitor, moraram durante dois anos no sítio Ipê, em Pirapozinho, e mudaram para o Sítio São Vicente, em Tarabai, à época Nova América. Até 1952 a família Araújo cultivava algodão, arroz, milho e feijão.


Nova América é elevada a Distrito de Paz - 1949

Nova América, segundo Elísio Pereira da Silva, em 1948 iniciava o movimento para se tornar distrito. "A população rural totalizava cerca de seis mil habitantes e a urbana não passava de mil".

Roque Sevilha diz que em 1948 seu pai, Ulpiano Sevilha Dias, uniu-se a integrantes da colônia japonesa com vistas em instalar a primeira escola.

À época, funcionava uma sala de aula na zona rural, mantida pelos imigrantes japoneses. "Meu pai cedeu o terreno onde foi erguida a primeira escola. A instalação foi conseguida depois de uma conversa com o chefe da casa civil, Felício Tarabay. A Colônia Japonesa ajudou muito. Lembro-me de pessoas da família Idagawa", diz Roque.

O Grupo Escolar Nova América, de madeira, erguido pelos moradores na avenida Castelo Branco, ficava ao lado da quadra de esportes, em 1948. No estabelecimento, dirigido por José Barbosa, havia salas de aulas de 1ª a 4ª séries.

O diretor José Barbosa, sua mulher, a professora Josefina e os outros professores ficavam hospedados na pensão do Rafael Calvo. Salustiano também tinha hospedagem na rua Sete de Setembro, chamada de Pensão do Senhor Salu. Paulo Barbeiro dominava a tesoura nos cortes de cabelos.

Além do grupo, o patrimônio contava com maior número de estabelecimentos comerciais, como a loja do Zeferino Soares Branquinho, a padaria do Argemiro, a Casa Sepa, a alfaiataria do José Teixeira (Juca), o açougue de Braz Ferreira, a loja de calçados do italiano Osvaldo Catanante e a farmácia do José Carapina Cavalli.

Ulpiano Sevilha queria a criação do Distrito de Paz, pois assim conseguiria instalar o cartório em Nova América e continuar contribuindo com o crescimento do local.

"Foi uma luta muito difícil. Meu pai tinha de ir sempre a Presidente Prudente conversar com políticos e outras autoridades que poderiam ajudar a criar o distrito. Quando chovia, a viagem demorava até um dia. Meu pai ia com o Alfredo, dono de um caminhão de carga," lembra Roque.

Segundo ele, Manoel Marques, prefeito de Pirapozinho, barrava a criação do distrito o quanto podia. "Como oficial do cartório, não era interessante sofrer a concorrência de meu pai em Nova América. Sem contar que era mais um passo para a emancipação de Pirapozinho. Então, ele fazia de tudo para impedir a conquista. Contudo, meu pai não desistiu".

A criação do Distrito de Paz Nova América deu-se em 1949.


Década de 50 - Ulpiano traz motor a diesel

A década começava com novidade no distrito. Ulpiano Sevilha solicitou ao governador estadual, Lucas Nogueira Garcez, um motor a diesel para gerar energia para todos moradores." Meu pai ganhou, pagou o frete e o instalou. A máquina funcionava até às 22h por quatro anos", afirma Roque Sevilha.

Em 1951, a família Mendes Barreto mudou-se de Ouricuri, Pernambuco, para Tarabai. Geraldo Amâncio Mendes e sua mulher, Vitalina Mendes Barreto, e os filhos Francisco, Antônia e João, moraram primeiro no sítio de Quintino da Costa Barros. "Nós plantávamos algodão, milho e hortelã, entre outros produtos," afirma João Mendes Barreto.

À época, ele diz que os produtores de Nova América conseguiam produzir hortelã, algodão, milho, batata inglesa e amendoim em grande quantidade. "A hortelã era vendida para empresas e para fazer balas, como Anzai e Marília. Elísio e Risako Idagawa foram fortes produtores e compradores de amendoim", conta João Mendes.

Em 1952, Heitor Araújo inaugurava seu armazém - Casa Araújo - na rua Sete de Setembro. O comércio no distrito de paz continuava crescendo. "O posto de gasolina Sevilha era de Ulpiano Sevilha, José Sevilha tinha a loja de tecidos, Rafael Calvo, o armazém de secos e molhados, Elísio Pereira era proprietário da Casa Pereira, Joaquim Braz tinha açougue e Acácio Mariano era dono da padaria, entre outros.

Ulpiano Sevilha instalou o cartório em 1954. "Meu pai contribuiu muito com o desenvolvimento de Tarabai. Ele doou o terreno da igreja, do campo de futebol, do cemitério, da rodoviária, construída em 1955, e do primeiro posto de saúde. O primeiro padre também foi trazido de Anhumas por ele," diz Roque Sevilha.

Em 1956, o comerciante José Figueiredo saía de Sergipe e se mudava para o distrito de Tarabai. Até hoje ele mantém seu mercado na área central.

Dois anos depois, a região era beneficiada com a inauguração da estrada de ferro. Jânio Quadros governava o estado de São Paulo . "O transporte barato e seguro dava vida ao comércio. A economia girava em torno da pecuária e agricultura," afirma João Mendes.


1954 - Nova América homenageia Felício Tarabai

O governador Adhemar de Barros ganhara a admiração dos moradores de Nova América ao baixar o decreto 36.509 para criação do primeiro grupo escolar. Por isso, o seu pedido não foi negado, quando ele manifestou a vontade de homenagear o amigo, deputado estadual Felício Tarabay. Então, o nome do distrito mudou de Nova América para Tarabai.


Nova capela é construída em 1953

Padre Hilário decidiu construir nova capela em Tarabai no início de 1953. Em sua camionete transportava todos os dias pedreiros e carpinteiros que moravam em Pirapozinho. A nova igreja media 24 metros de comprimento por 8 metros de largura e tinha capela-mor, duas sacristias e trinta bancos. A capela foi inaugurada em maio, com santas missões.


1964 - Criação do município de Tarabai

Ulpiano Sevilha, seu filho Roque Sevilha, Elísio Pereira da Silva e Horácio Januário, novo proprietário da serraria Gomes & Neto, decidiram que o distrito apresentava os requisitos necessários à emancipação. "O primeiro passo foi convencer a população sobre os benefícios. Muitos, influenciados por políticos de Pirapozinho, pensavam e faziam campanha contrária. Mas, vencemos o plebiscito," explica Roque.

Mesmo com o agente do IBGE atestando sobre os 10 mil habitantes necessários e demais exigências, Tarabai cumpria todas, como renda suficiente, número de alunos, manutenção do posto de saúde, distância de 10 quilômetros de Pirapozinho, entre outras.

Tudo o que a comissão apresentava ao governo, Manoel Marques contestava. Contudo, todos os nossos recursos tiveram resultado positivo", descreve Roque Sevilha.

Elísio Pereira da Silva conta que a emancipação foi aprovada pela assembléia paulista em 1962. "Mas o prefeito Manoel Marques entrou com mandado de segurança, impedindo a conquista. Para manter a decisão anterior teríamos que recorrer ao embargo, porém, éramos políticos inexperientes e não recorremos nesse período. Caso contrário à emancipação teria ocorrido nessa primeira tentativa," explica o pioneiro.

De acordo com ele e Roque Sevilha, a comissão não desanimou, e em 21 de março de 1965, com o apoio do prefeito de Pirapozinho, Plauto Barreto, conseguiram conquistar a emancipação. "Finalmente, Tarabai torna-se município," fala o pioneiro, que foi eleito o primeiro prefeito ao lado do vice Quintino da Costa Barros.

A primeira legislatura da Câmara de Tarabai, gestão 1965 a 1969, foi composta por Waldemar Calvo, Fortunato Mendes da Silva, Francisco Mecias, João Batista da Costa, José Pereira da Silva, José Sevilha Grima, Marinho Francisco de Lima, Heitor Pedro de Araújo e Massaioshi Ueite.


Tarabai  foi formada com a simplicidade, coragem e humildade de seu povo

Há cerca de 60 anos, o senhor Rafael  Calvo, acompanhado de sua esposa Izabel Garcia Calvo e dos filhos Euzébia, José, Maria e Waldemar Calvo saíram da cidade de Birigui (SP), onde residiam, para se estabelecer no pequeno distrito de Nova América, atualmente município de Tarabai.

Ao chegar, a família Calvo se instalou provisoriamente em um rancho às margens do Ribeirão Rebojo, hoje Sítio Kaneshima. Logo após, o senhor Rafael adquiriu um lote de terreno do senhor Ulpiano Sevilha, um imigrante espanhol que, juntamente com sua família, foi o primeiro a estabelecer-se no que seria o distrito de Nova América. Esse imigrante planejava no local que se tem o atual centro da cidade de Tarabai, a criação de um pólo comercial e industrial para atender toda a região. Era, para a época, uma visão bastante ambiciosa, dadas às condições ainda muito precárias do distrito.

Contudo, o senhor Rafael adquiriu o referido lote e construiu ali sua residência e também um pequeno ponto comercial onde funcionava uma venda de secos e molhados. Foi ali, então, que se estabeleceu toda a família Calvo onde, até hoje,vive uma parte dela. Ali nasceram outras duas filhas do casal: Arnalda e Lourdes.

A senhora Izabel Calvo também desempenhou relevante papel no desenvolvimento da cidade, quando abriu as portas de sua casa para hospedar os professores que chegavam para dar aulas em uma escola improvisada, localizada à rua Horácio Januário. O atual prefeito de Tarabai, Waldemar Calvo, que em 1946 era estudante naquela escola, hoje reside nesse mesmo endereço.

Os imigrantes espanhóis e japoneses, assim como os migrantes vindos do nordeste do país, ajudaram a dar um grande impulso na formação da cidade, pois se preocuparam com a construção de uma escola, com o aprimoramento do comércio e da agricultura.

A primeira energia elétrica no distrito de Nova América foi gerada pela caldeira da serraria do senhor Antônio Netto, posteriormente do senhor João Cristino Nobre e Armando Januário. Foi também no escritório dessa serraria que se instalou o primeiro telefone da cidade.

Nas décadas de 50 e 60 a agricultura predominava e havia um grande plantio de algodão (que trouxe como conseqüência a instalação de uma usina de algodão) e amendoim. A população residia, em sua maioria, na zona rural.

Aos domingos as ruas da cidade ficavam tomadas pelas pessoas que vinham fazer compras e passear com a família.

Um acontecimento importante para a cidade foi quando, na década de 60, a empresa Camargo e Corrêa instalou acampamento para a construção do ramal ferroviário de Dourado, hoje desativado. Isso gerou empregos e movimentou significativamente o comércio.

A chegada do trem melhorou muito a qualidade de vida das pessoas, pois facilitou, impulsionou e alegrou muito a população. A ligação com o Paraná era feita pela estrada Brasileira que passava exatamente onde é hoje a rua 7 de Setembro. Nessa rodovia era grande o transporte de madeira e de produtos agrícolas.

Quando o distrito chegou à categoria de município, recebendo o nome de Tarabai, ainda não havia melhorias como calçamento nas ruas.

A igreja era uma simples construção de madeira sem nenhuma pintura, no meio de um quarteirão vazio e seco. O padre Hilário, um holandês (não se entendia nada do que ele falava) da cidade vizinha, rezava uma missa aos domingos.

A partir de então, graças aos esforços de alguns prefeitos, a cidade começou a ganhar um novo visual: praças bem cuidadas, asfaltamento das ruas, clube recreativo, arborização da cidade, entre outras melhorias. Atualmente, a igreja chama a atenção pela beleza da construção e pela bem cuidada praça ao seu redor.

Hoje, indústrias têm-se instalado na cidade, gerando novas oportunidades de emprego, a cidade ganhou novos bairros; investe em educação, na saúde e no bem-estar de seus moradores.